Em julho de 2026, a inadimplência do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, o "Crédito do Trabalhador" com desconto direto na folha de quem tem carteira assinada, chegou a 10,0%, dado preliminar segundo a Nota para a Imprensa de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, divulgada em 28 de agosto de 2026. É o maior nível da série histórica do BC para essa modalidade, que começa em março de 2011. Em junho, a taxa estava em 8,7%, alta de 1,3 ponto percentual em um único mês; em julho de 2025, era 6,2%, o que significa um salto de 3,8 pontos percentuais em doze meses.
O crescimento da carteira ajuda a explicar o tamanho do problema: o saldo desse crédito somou R$ 117,7 bilhões em julho, ante R$ 113,4 bilhões em junho, e R$ 49,9 bilhões em julho de 2025. Em um ano, o volume emprestado nessa modalidade mais que dobrou, um crescimento de cerca de 136%, enquanto a inadimplência subia junto, não caía.
O consignado CLT foi vendido, com razão em parte, como alternativa mais barata ao cheque especial e ao rotativo do cartão: por ter desconto automático em folha, o banco corre menos risco e cobra juro menor do que em outras linhas de crédito pessoal livre. Foi essa promessa que fez a modalidade se espalhar rápido depois da regulamentação do Crédito do Trabalhador, com bancos e fintechs disputando esse público de trabalhadores CLT que antes só tinha acesso fácil a crédito mais caro.
O problema é que desconto em folha não é sinônimo de dívida sob controle. Ele reduz o risco do banco, que recebe primeiro, antes mesmo do salário cair na conta do trabalhador. Mas não reduz o risco de quem contratou: se o desconto mensal não cabe no orçamento, o resultado não é necessariamente inadimplência formal nessa parcela, é aperto em todo o resto, e o próprio dado de julho mostra que uma fatia cada vez maior de quem pegou esse crédito está deixando de pagar mesmo com o desconto automático.
Se você já tem consignado CLT, a inadimplência recorde da modalidade não muda o seu contrato, mas é um sinal de alerta coletivo: o desconto automático em folha não é garantia de que o crédito cabe no orçamento de quem pegou, só é garantia de que o banco recebe primeiro. Vale reforçar a conta antes de pegar um segundo consignado ou de aumentar o valor de um existente.
Se você está avaliando contratar, o dado de julho é motivo para simular o desconto mensal com mais rigor, não para descartar a modalidade de cara. O consignado CLT costuma ter juro bem menor que cartão rotativo ou crédito pessoal sem consignação, mas juro menor não significa parcela automaticamente sustentável: o que decide isso é quanto sobra do seu salário depois do desconto, não a taxa anunciada.
Antes de assinar qualquer consignado, o número que importa não é a taxa de juros nem o prazo, é quanto sobra de verdade do seu salário depois do desconto em folha, considerando gastos fixos, não só o que sobra "no papel". É exatamente essa conta que o Grana faz: você lança sua renda e seus gastos fixos, e o app mostra quanto sobra por dia, com ou sem um novo desconto na folha, pra você decidir com o número real na mão, e não descobrir só depois que o desconto começou a apertar o mês.