Em agosto de 2026, a caderneta de poupança registrou saída líquida de R$ 10,573 bilhões, segundo dados do Banco Central. Os depósitos somaram R$ 357,652 bilhões e os saques chegaram a R$ 368,225 bilhões — ou seja, quem tirou dinheiro tirou mais do que quem guardou. É o terceiro mês seguido de retirada líquida, depois de julho (R$ 7,152 bilhões) e junho. No acumulado do ano, a poupança já perdeu R$ 57,082 bilhões, mesmo tendo pago R$ 50,731 bilhões em rendimentos desde janeiro.
A explicação não é mistério: a Selic está em 14% ao ano, e a poupança paga, por regra, 0,5% ao mês mais TR sempre que a Selic fica acima de 8,5% ao ano — na prática, algo perto de 6,17% ao ano fora a TR. Quando a Selic sobe, a distância entre o que a poupança rende e o que outras aplicações de renda fixa pagam (Tesouro Selic, CDB de banco médio, fundos DI) fica enorme. É por isso que, mês após mês, mais gente está tirando dinheiro de lá — não porque está "gastando mais", mas porque tem opção melhor para guardar o mesmo dinheiro.
Se você tem uma reserva na poupança só porque "sempre foi assim", vale fazer a conta: com a Selic no patamar atual, um CDB de liquidez diária de banco digital ou o Tesouro Selic rendem bem mais do que o teto da poupança, com o mesmo nível de segurança para valores dentro do limite do FGC. Não é uma decisão arriscada, é só trocar de gaveta. Mudar reserva de emergência de lugar não tira a liquidez — o dinheiro continua disponível em poucos dias, só que rendendo mais enquanto está parado.
Aqui está o ponto que mais pesa no bolso de quem está endividado: manter dinheiro rendendo perto de 6% ao ano na poupança enquanto paga rotativo do cartão ou cheque especial — que podem passar de 100% ao ano — é prejuízo duplo. Você está perdendo dos dois lados: ganhando pouco de um lado, pagando juro extorsivo do outro. Se você tem uma reserva parada e também uma dívida cara em aberto, o cálculo quase sempre aponta para usar parte da reserva pra abater a dívida primeiro, e só depois voltar a guardar — mesmo que isso signifique ficar com o "colchão" mais fino por um tempo.
Antes de decidir se compensa mexer na reserva ou não, você precisa saber com que folga real está trabalhando todo mês. É para isso que existe o cálculo de custo de sobrevivência dentro do Grana: você lança sua renda e seus gastos fixos, e o app mostra exatamente quanto sobra — ou falta — de verdade por dia, antes de qualquer decisão sobre onde colocar ou tirar dinheiro guardado.