Na quinta-feira (17 de setembro de 2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 13.120, publicado em edição extra do Diário Oficial da União, reajustando em 15,04% os valores pagos pelo Bolsa Família. O piso do benefício, hoje em R$ 600, passa para R$ 691. O valor médio pago às famílias, que soma o benefício básico a outros adicionais do programa, sobe de R$ 675 para R$ 777. O Benefício Cidadania Extra, pago por integrante da família, vai de R$ 142 para R$ 164, e o Benefício Primeira Infância, para famílias com crianças de 0 a 7 anos, sobe de R$ 150 para R$ 173.
O reajuste usa como base a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026 -- é a primeira correção pela inflação desde que o programa foi retomado naquele ano. Na prática, o governo está repondo um poder de compra que já tinha sido corroído há mais de três anos, não dando um aumento real acima da inflação.
Esse é o ponto que mais gera confusão: o decreto foi assinado em setembro, mas o valor maior só entra na folha de pagamento de outubro. Quem recebe o Bolsa Família em setembro ainda recebe pelo valor antigo -- o reajuste não é retroativo ao mês corrente. Os depósitos com o novo valor começam em 19 de outubro, para beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) terminado em 1, e seguem o calendário escalonado até o dia 30, por final de NIS.
Se você já está contando com esse dinheiro a mais para fechar as contas de setembro, não vai fechar: o valor que cai esse mês é o de sempre.
É comum, quando sai notícia de aumento de benefício, já ajustar o orçamento -- ou pior, já assumir um compromisso novo -- contando com um dinheiro que ainda não caiu. Isso vale tanto pra quem recebe o Bolsa Família quanto pra quem tem algum tipo de renda ligada a ele indiretamente, como o comércio de bairro que vive do giro do programa. O valor certo, por família, também varia de acordo com a composição do grupo familiar (quantidade de crianças, adolescentes, gestantes), então não dá pra saber o número exato antes de ver o extrato de outubro -- só as faixas mínima e média são conhecidas por enquanto.
O jeito mais seguro de lidar com um aumento de renda anunciado com antecedência é tratar o valor atual como o que realmente está disponível até o mês em que o novo valor efetivamente cair na conta.
Esse é exatamente o tipo de situação em que vale separar "renda confirmada" de "renda esperada". O cálculo de custo de sobrevivência dentro do Grana trabalha só com o que você efetivamente tem: você lança sua renda atual e seus gastos fixos, e o app mostra quanto sobra, ou falta, de verdade por dia -- sem contar aumento que ainda não caiu na conta. Quando o valor novo do Bolsa Família chegar em outubro, você atualiza o número e vê, com precisão, quanto daquele acréscimo pode de fato ser usado, em vez de gastar mentalmente um dinheiro que ainda está a um mês de distância.