Em junho de 2026, a taxa média de juros do cheque especial para pessoas físicas no Brasil ficou em 139,78% ao ano, segundo o Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS) do Banco Central do Brasil. O dado não vem de reportagem ou estimativa: é a taxa média ponderada das novas operações de crédito com recursos livres, categoria cheque especial, publicada mensalmente pela própria autoridade monetária.
Para quem usa o cheque especial como "tapa-buraco" no fim do mês, o número tem um efeito concreto: deixar R$ 1.000 no vermelho por 12 meses sem quitar transforma essa dívida em mais de R$ 2.397, considerando a taxa composta ao longo do ano. Os juros sozinhos passam a valer mais do que o problema que eles resolveram no começo.
Desde 6 de janeiro de 2020, a Resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 4.765/2019 limita os juros remuneratórios do cheque especial de pessoas físicas e MEI a 8% ao mês, o equivalente a aproximadamente 151% ao ano. A resolução foi criada justamente porque, antes dela, alguns bancos praticavam taxas ainda mais altas — o teto nasceu como um limite de contenção, não como uma meta de preço justo.
É por isso que o dado de junho de 2026 chama atenção: 139,78% ao ano não é uma taxa "moderada" dentro do teto. É uma taxa que já está a menos de 12 pontos percentuais do limite máximo permitido por lei. Em vez de o mercado operar bem abaixo do teto — como seria de esperar num produto tão criticado —, ele se estabilizou perto do máximo. O teto funciona como contenção de excesso, não como referência de preço competitivo.
A proteção da Resolução CMN 4.765/2019 vale só para pessoa física e MEI. Para pessoas jurídicas em geral, não existe o mesmo teto — e a diferença aparece no dado: em junho de 2026, a taxa média do cheque especial para pessoas jurídicas chegou a 359,04% ao ano, segundo a mesma série do Banco Central (SGS, série 20727). Isso é quase 3,6 vezes o valor que a empresa pegou emprestado, em apenas 12 meses.
Para o pequeno empresário que usa a conta jurídica como colchão de curto prazo — cobrir um fornecedor, fechar a folha num mês mais apertado —, essa diferença de proteção legal entre PF e PJ costuma passar despercebida até a fatura chegar.
Os juros do cheque especial não vão baixar por conta própria: eles refletem política de crédito de cada banco, dentro do limite que a lei permite. O que muda de fato é a informação que você tem antes de decidir usá-lo.
É para isso que existe o cálculo de custo de sobrevivência dentro do Grana: você lança sua renda e seus gastos fixos, e o app mostra exatamente quanto sobra, ou falta, de verdade por dia. Com esse número em mãos, fica mais fácil decidir se vale a pena recorrer ao cheque especial agora ou segurar até o próximo pagamento — em vez de descobrir só na próxima fatura quanto aquele "tapa-buraco" realmente custou.