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Crédito Consignado: a Tarifa Escondida que Fazia a Taxa Real Subir de 3,66% pra 4,48%

Crédito Consignado: a Tarifa Escondida que Fazia a Taxa Real Subir de 3,66% pra 4,48%
Bancos anunciavam consignado a 3,66% ao mês, mas cobravam 4,48% na fatura. Entenda a tarifa escondida, a mudança na lei e quanto o consignado ainda custa.

O crédito mais barato do Brasil, com uma letra miúda

O consignado é frequentemente apresentado como o crédito mais barato disponível no Brasil, e, segundo dados do Banco Central, essa fama tem fundamento: com desconto direto na folha de pagamento, os juros do consignado costumam ser bem menores que os de qualquer outra modalidade de crédito pessoal. Foi essa combinação de acesso facilitado e juro reduzido que fez o consignado CLT crescer rapidamente: até janeiro de 2026, a modalidade já somava mais de R$ 101 bilhões em contratos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

O problema é que, por trás da taxa anunciada, existia uma letra miúda.

O que a taxa anunciada escondia

Segundo apuração destacada pela Agência Brasil, bancos anunciavam uma taxa de juros baixa, mas embutiam tarifas extras diretamente no contrato, sem deixar isso claro na publicidade. O resultado prático: o custo total do crédito, o CET (custo efetivo total, que soma os juros a todas as tarifas cobradas), chegava a 4,48% ao mês, contra os 3,66% ao mês que apareciam no anúncio. Essa diferença nunca era explicitada na oferta inicial, apenas descoberta depois, já dentro do contrato assinado.

A mudança que passou a proteger o consumidor

Desde abril de 2026, esse tipo de tarifa escondida se tornou proibido por lei. O governo passou a limitar o custo total do crédito consignado a, no máximo, 1 ponto percentual acima da taxa contratada, e as taxas de abertura de cadastro também foram proibidas. Essa regra vale para quem contrata a partir dessa data; contratos anteriores não são alterados retroativamente.

Mesmo com a letra miúda eliminada, porém, o consignado não deixou de ter custo. Segundo o Banco Central, a taxa média do consignado privado gira em torno de 51,26% ao ano. Para efeito de comparação, esse valor é bem mais baixo que o rotativo do cartão de crédito (498,53% ao ano) ou o crédito pessoal comum (169,71% ao ano), mas ainda representa pagar mais da metade do valor emprestado em juros ao longo de um ano.

O que a lei não calcula por você

A lei protege contra a letra miúda. O que ela não faz é calcular se o desconto mensal do consignado cabe no seu orçamento. Antes de qualquer desconto em folha, o que decide se vale a pena não é apenas a taxa anunciada nem a proteção legal contra tarifas escondidas: é saber, com precisão, se o que sobra do salário depois desse desconto ainda cobre o seu custo de sobrevivência, o mínimo necessário pra sua vida por dia.

É exatamente esse cálculo que o Grana faz antes de você assinar qualquer contrato: a partir da sua renda e dos seus gastos fixos, o app mostra quanto sobra por mês, mesmo com um desconto novo na folha, pra você saber se o consignado "mais barato" realmente cabe na sua vida, ou só parece caber.

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Por Thallis Ribeiro — Administrador, MBA em Gestão Financeira (FGV) · publicado em 11.09.2026 · Fontes: Banco Central, Agência Brasil

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