O consignado é frequentemente apresentado como o crédito mais barato disponível no Brasil, e, segundo dados do Banco Central, essa fama tem fundamento: com desconto direto na folha de pagamento, os juros do consignado costumam ser bem menores que os de qualquer outra modalidade de crédito pessoal. Foi essa combinação de acesso facilitado e juro reduzido que fez o consignado CLT crescer rapidamente: até janeiro de 2026, a modalidade já somava mais de R$ 101 bilhões em contratos, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.
O problema é que, por trás da taxa anunciada, existia uma letra miúda.
Segundo apuração destacada pela Agência Brasil, bancos anunciavam uma taxa de juros baixa, mas embutiam tarifas extras diretamente no contrato, sem deixar isso claro na publicidade. O resultado prático: o custo total do crédito, o CET (custo efetivo total, que soma os juros a todas as tarifas cobradas), chegava a 4,48% ao mês, contra os 3,66% ao mês que apareciam no anúncio. Essa diferença nunca era explicitada na oferta inicial, apenas descoberta depois, já dentro do contrato assinado.
Desde abril de 2026, esse tipo de tarifa escondida se tornou proibido por lei. O governo passou a limitar o custo total do crédito consignado a, no máximo, 1 ponto percentual acima da taxa contratada, e as taxas de abertura de cadastro também foram proibidas. Essa regra vale para quem contrata a partir dessa data; contratos anteriores não são alterados retroativamente.
Mesmo com a letra miúda eliminada, porém, o consignado não deixou de ter custo. Segundo o Banco Central, a taxa média do consignado privado gira em torno de 51,26% ao ano. Para efeito de comparação, esse valor é bem mais baixo que o rotativo do cartão de crédito (498,53% ao ano) ou o crédito pessoal comum (169,71% ao ano), mas ainda representa pagar mais da metade do valor emprestado em juros ao longo de um ano.
A lei protege contra a letra miúda. O que ela não faz é calcular se o desconto mensal do consignado cabe no seu orçamento. Antes de qualquer desconto em folha, o que decide se vale a pena não é apenas a taxa anunciada nem a proteção legal contra tarifas escondidas: é saber, com precisão, se o que sobra do salário depois desse desconto ainda cobre o seu custo de sobrevivência, o mínimo necessário pra sua vida por dia.
É exatamente esse cálculo que o Grana faz antes de você assinar qualquer contrato: a partir da sua renda e dos seus gastos fixos, o app mostra quanto sobra por mês, mesmo com um desconto novo na folha, pra você saber se o consignado "mais barato" realmente cabe na sua vida, ou só parece caber.