127,3% ao ano. Foi isso que os juros do crédito pessoal comum bateram em junho de 2026, segundo o Banco Central — uma alta de 7 pontos percentuais em apenas um mês, saindo de 120,3% em maio. Se você pegou, ou está pensando em pegar, um empréstimo pra tapar um buraco no orçamento, esse número importa mais do que a parcela "que cabe no bolso" mostrada na hora de assinar.
Segundo a Nota de Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central, os juros médios do crédito pessoal sem desconto na folha — ou seja, fora do consignado, que é descontado direto do salário — subiram de 120,3% para 127,3% ao ano entre maio e junho de 2026. Na prática, isso é quase o dobro do valor original da dívida acumulado em 12 meses, considerando o efeito composto do juro mês a mês.
Dentro desse mesmo tipo de crédito, as operações sem nenhuma garantia real — sem carro, sem imóvel, sem bem que o banco possa tomar em caso de calote — chegaram a 149,5% ao ano em junho. E aqui está o ponto mais desconfortável do dado: quem mais precisa de um empréstimo rápido é, quase sempre, quem tem menos bens pra oferecer como garantia, e por isso acaba pagando os juros mais caros justamente quando está mais vulnerável.
O erro não está em recorrer a crédito pessoal — às vezes é a única opção disponível diante de uma emergência real. O problema é assinar sem saber, com clareza, quanto aquela parcela "que cabe no bolso" vai custar até o fim do contrato. Sem esse número na mão, é impossível comparar se vale mais pagar os juros altos agora ou segurar mais um mês, negociar outra alternativa, ou buscar uma linha de crédito com garantia (e juro bem menor).
Antes de assinar qualquer contrato novo, a pergunta certa não é "essa parcela cabe no meu orçamento deste mês", é "quanto sobra de verdade no meu mês, depois de cobrir o essencial, pra sustentar essa parcela nos próximos meses". É uma pergunta diferente, e a resposta exige saber o seu custo de sobrevivência — o mínimo que sua vida custa antes de qualquer compromisso novo.
O Grana calcula esse número por você a partir da sua renda e dos seus gastos fixos, mostrando exatamente quanto sobra antes de você comprometer esse valor com juros de mais de 100% ao ano. Às vezes a resposta certa é esperar. Às vezes é negociar diferente. Mas só dá pra decidir bem sabendo o número — nunca assinando no escuro.